Crash! – Raridade: Streiff bate no Rio

Este acidente é uma raridade: o acidente de Philippe Straiff nos treinos de pneus em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O acidente foi em 1989, e Streiff saiu andando no carro. No entanto, o que parecia ser um susto se tornou um pesadelo. Veja as imagens que foram registradas da batida:

Como dá para ser notado na foto abaixo (retirada do blog “Almanaque da Fórmula 1”), não foi uma pancada assim tão simples para o piloto sair andando. O “santantonio” do carro não existia, e um tratamento em pista malfeito fez com que Streiff conservasse danos sérios e irreversíveis, ficando tetraplégico.

Imagem do carro de Streiff. Notem o estrago.

Uma pena. Este acidente acabou resultado no primeiro capítulo da morte lenta e gradual de Jacarepaguá, que perdeu a F-1 no ano seguinte, chegou a ter Indy e MotoGP como uma falsa sobrevida, mas sucumbiu até ser transformado em terreno valioso para as Olimpíadas de 2016.

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Defendendo Piracicaba

 

Foto aérea da pista de Piracicaba

Muito se falou da escolha de Piracicaba para receber os testes da Stock Car nesta quarta-feira, resultando no acidente de Xandinho Negrão.

Não vou defender a categoria _pelo dinheiro que pagam por vaga (cerca de R$ 2,5 mi por piloto), sem contar as taxas de realização do evento junto à CBA e o investimento da Rede Globo, esses testes poderiam se transformar em eventos, como faz a Nascar com o Budweiser Shootout.

Para quem não pode treinar durante a temporada, uma semana de atividade intensa como pré-temporada seria muito bem-vinda. Não um teste/shakedown em uma pista sem estrutura e sem organização. É muito pouco, perto de categorias em que ela se compara, como o DTM, por exemplo.

Ah, outra coisa: alguém já foi num teste coletivo? Não existe red zone, não existe colete de fotógrafo, briefing nem cronometragem. Nos dois últimos anos calhou de a organização fazer o teste na semana da corrida, mas mesmo assim não existiram essas coisas. E não só na Stock, mas em qualquer categoria daqui. Talvez se preocupem com isso quando alguém morrer. E outra: dá um carro para um piloto depois de três meses da última corrida e manda ele maneirar na velocidade. O caralho que ele fará isso. Ninguém fará isso.

Contudo, o assunto não é esse, mas o fato de Piracicaba ter sido muito criticada. Bem: qual a diferença entre Piracicaba e Tarumã, que até 2009 recebeu corridas ininterruptamente? Nenhuma. Se o problema de freio do carro de Xandinho fosse em Tarumã, na entrada da curva 1, talvez ele nem estaria aqui para contar a história.  Só quem frequenta autódromos pode concordar comigo.

O assessor de Xandinho, Marcio Fonseca, contou para mim que, por Xandinho ter passado o alambrado, houve uma demora no atendimento médico por conta de um portão trancado, que teve de ser arrombado.  “Acidentes não escolhem hora nem lugar. O local tem de estar preparado sempre para o pior cenário…”. Concordo. Mas não seria diferente se tivesse acontecido em 80% das pistas do país. Quais dá para salvar? Interlagos, Curitiba, Interlagos, Curitiba… Esses quatro, rs.

Podemos comparar com Campo Grande, que fica situado em uma rodovia longe da cidade, algo parecido com Piracicaba. Lá, a área de escape praticamente dá pra estrada, não há espaço para ninguém e só voltaram a receber a prova após protestos e reformas, como Londrina. E Santa Luzia, em Minas? Nem se compara! Aquela pista dava medo.

O que fizeram ontem foi uma fritura de Piracicaba, cidade onde vivi por três anos, e não gostei. A Stock tem todos os motivos para ser criticada, pela grana que é investida (a segunda categoria mais cara do mundo) e pelo pouco retorno. Mas Piracicaba não tem nada a ver com isso.

A pista é honesta, uma tentativa de apaixonados pelo esporte do interior de São Paulo que não querem ficar restritos a Interlagos, possui um traçado pequeno e interessante, melhor que muita pista do calendário. E está tomando forma aos poucos. Se tiver uma reforminha legal, com um investimento bacana, pode até receber corridas maiores que o regional paulista e a Stock Jr.

Sem contar a cidade, uma das maiores do Estado, que possui ótima infra-estrutura e é próxima de grandes cidades, como Campinas. Que Piracicaba consiga fazer deste autódromo uma praça decente e receba corridas bacanas. Eles merecem.

Los Hermanos: TC/TC Pista – Mar de Ajo

Agustin Canapino, da Chevrolet no TC

Estamos no meio do mês de fevereiro e o automobilismo argentino já começou a todo o vapor, o que poderia servir de exemplo para essas bandas. No último domingo (13) aconteceu a primeira etapa das divisões TC e TC Pista, no circuito de Mar de Ajo.

A corrida do TC Pista é fantástica. A disputa estava apertadíssima, aí veio a chuva e mudou tudo. Foi um festival de rodadas, uma loucura generalizada, com pilotos girando em altíssima velocidade nas longas áreas de escape (algumas nem tanto) do circuito argentino. Pedro Gentile sobreviveu e venceu após dois concorrentes virarem vítimas da chuva.

Nota: Cinco estrelas

A prova do TC viu Agustin Canapino liderar um 1-2 da Chevrolet após um problema enfrentado pelo líder Lionel Ugalde, que teve a coluna de direção de seu Ford Falcon rompida após liderar boa parte da disputa e terminar na frente a primeira parte da corrida. Boas disputas e carros sendo controlados no braço, além de algumas confusões e uma invasão de pista após a bandeirada. Boa corrida.

Nota: Três estrelas