Para todos os amigos

Levo todos comigo dentro do peito. Obrigado por tudo!

Para quem começou 2009 momentaneamente sem trabalho e dinheiro, terminar o ano em Buenos Aires cobrindo o maior rali do mundo é uma prova de como o mundo deu voltas nestes últimos 365 dias.

Foi um ano agitado, mas que rendeu belíssimas conquistas pessoais:  o convite do Tazio, o chamado de Reginaldo Leme para o Linha de Chegada, uma parceria diferenciada, uns bons quilos a menos, diversas horas de aeroporto e muito, mas muito trabalho.

Decepções? Muito poucas e mínimas, que se dissiparam rapidamente e serviram para amadurecer cada vez mais. Erros? Também, já que não nasci sabendo de tudo. Aprendizado? Sempre. Sou um eterno aprendiz.

Todas as metas que dependiam de mim estipuladas para este ano foram cumpridas. Até um carro eu consegui. Por isso digo para vocês que a melhor coisa do mundo é ter fé e força de vontade. E nada como ter pessoas especiais para dar mais impulso, como o Zoião, que lutou pela vida e nasceu de novo.

Infelizmente, não terei nenhuma dessas pessoas ao meu lado aqui em Buenos Aires. Mas levarei todos comigo no coração quando der meia noite aqui.

Vou nessa antes que comece a chorar… Que todos tenham um 2010 maravilhoso, com paz, saúde, amor, dinheiro, amigos, serenidade e prosperidade!

PS: Querem uma dica? Faça uma lista de metas e pendure em um local onde você consiga ver todos os dias. Lute para conquistá-las. No dia 31/12/2010, vocês verão esta lista e se sentirão orgulhosos. Vão por mim!

De carona no Dacar 2: primeiras impressões

¿Hola, que tal? Aqui em Buenos Aires tudo é festa. Para mim, marinheiro de primeira viagem, todas as experiências estão sendo fabulosas. Para começar, nunca voei de primeira classe. Bem, tudo tem sua primeira vez, né?

Além de sentar em uma poltroninha especial e ver um canal de pegadinhas, serviram carne de cordeiro com ratatouille. Os vegetarianos que me desculpem, mas estava bom, viu… As quase três horas de viagem passaram voando, literalmente.

Chegando em Buenos Aires, fomos recepcionados por um carequinha simpático, que tinha um Santana brasileiro modelo 2006. E ele se mostrou impressionado ao saber que havia modelos Santana na China!

Na chamada Autopista, minha colega de viagem se mostrou meio tensa ao ver o velocímetro batendo nos 150 km/h. “O rali já começou para ele”, disse. Enquanto isso, o sentido oposto tinha um trânsito de fazer inveja a qualquer Marginal de São Paulo. Os carros aqui eram os mesmos do Brasil. Ka, Passat, Palio, Siena, Corsa, Uno… Mas aí comecei a ver uns modelos “viejos” (velhinhos), como disse o carequinha, e fiquei fascinado.

Cinco carros chamaram minha atenção: um Renault que agora esqueci o modelo, o Ford Sierra, um Citroën que também esqueci o modelo, e um Peugeot 504. Em todos os lugares. “Você não para de falar desses carros viejos. Tudo bem, não passou nenhuma mulher gostosa no caminho, te compreendo”, disse o carequinha.

Chegando no hotel, em Puerto Madero, me senti. Tudo fino, chique, fantástico. Mas comecei a notar algo bem familiar: o português. O que tem de brasileiro aqui… Se eu gritasse “é penta” no meio da rua era capaz de ganhar a simpatia de 80% do bairro.

Hoje, quinta-feira, foi o dia dos ajustes finais na nossa viatura, que estava localizada no”circo” do Dacar, em La Rural, próximo ao Obelisco. E que dia lindo: sol e muito, mas muito calor. Realizamos entrevistas médicas, retiramos a credencial (verde, lindona), assinamos os documentos necessários, coletamos a aparelhagem de comunicação e segurança da viatura e fizemos entrevistas com os membros da Volkswagen.

Carlos Sainz é o príncipe da simpatia. Apesar de aparecer pouco, foi solícito em todas as vezes que o vi ser chamado. Giniel de Villiers, o atual campeão, se mostrou simpático, mas meio tímido. Já Maurício Neves e Clécio Maestrelli, única dupla brasileira em uma equipe de fábrica, eram uma alegria só. “Correr ao lado do Sainz é um sonho. Ele é nosso ídolo. Aprendemos muito com ele a cada dia”, destacou Neves.

Contudo, do meu lado estava sentado uma pessoa que, não fosse avisado por um colega, não daria a mínima bola. Hans-Joachim Stuck é um alemão de 58 anos, que competiu na F-1 entre 1974 e 1979 pelas equipes March, Martini, Brabham e ATS, tendo como melhor resultado dois terceiros lugares em 1977.

Além disso, possui um título do DTM, em 1990, e também passou pela ALMS, FIA GT e F-Truck europeia. Hoje, é membro de uma emissora alemã e conduzirá o carro de imprensa deles. Stuck, sim, é o rei da simpatia. Rindo e conversando com todos, tentava falar com o colega Carlos Reutemann para uma visita a La Rural. “Ele me ajudou muito quando entrou na F-1. É um grande amigo”, contou.

Papo vai, papo vem, ele perguntou se Jacarepaguá ainda existia _e fez uma cara de dó quando soube que a pista seria extinta_, e disse que hoje, a F-1 é mais moderna, mas uma loteria. “Massa teve muito, muito azar. Quem imaginaria que, em um carro tão seguro desses, uma mola o derrubaria?”.

Se teria vontade de fazer o Dacar? “Andei com o Maurício Neves nos testes da Suíça e fiquei espantado. Esses caras merecem aplausos. Um piloto de F-1 não aguentaria o que eles aguentam, sete horas ao volante encarando sol, chuva, e controlando um carro que não é dos mais leves”. Pena que ele precisou ir, mas teremos muitos dias para papear…

Antes de ir para o hotel, encontrei uma legião de pilotos e membros da Stock Car. Vicente Sfeir, da Vicar, os pilotos Gustavo Sondermann e Rafael Daniel (campeão da Copa Vicar) e o casal Alexandre e Aline Gramacho observavam, encantados, toda a estrutura do Dacar, muito maior que qualquer GP de F-1.

Amanhã, dia 1º, acontece a largada promocional às 16h locais (17 de Brasília _sim, os argentinos ficam atrás dos brasileiros até no revéillon!), com a pauleira começando no dia seguinte. O duro será acordar 3h da matina no dia 2 para partir às 4h40. Mas nenhum sacrifício será o suficiente para tirar o meu encantamento com tudo o que acontece.

No meio de milhares de pessoas (creio que mais de 200 mil argentinos visitaram o “circo), sem nenhum conhecido por perto, com ninguém falando minha língua, me surpreendi várias vezes com um sorriso permanente no rosto. É um bom sinal.

Daqui, fica o meu abraço a todos que tornaram 2009 inesquecível. E que 2010 seja melhor para todos! O meu, pelo que vejo, será! E muito!

Vejo vocês no ano que vem!

Vejam o álbum de fotos de hoje aqui: http://tazio.uol.com.br/rali/textos/15725/imagens/11453/

De carona no Dacar – 1 – Ducar!

Era início de dezembro. Depois de anos decidindo o réveillon na última semana, defini que desta vez seria diferente e reservei um lugar na casa de uns amigos no litoral norte de São Paulo.

Estava tudo certo: escala de fim de ano feita, planos para a hora da virada, tudo o que não envolvesse corridas, pois o ano havia sido muito agitado. Mas aí toca o telefone; na outra linha, o chefe:

– Seguinte, se eu viajar no fim do ano minha mulher me mata. Recebi um convite para o Dacar… Você vai.
– Vou?
– Quer?
– Ah, como posso negar?
– Beleza, então vou passar seu nome para o povo da Volkswagen, que fez o convite.
– Tá bom.

Com a cabeça voltada para outras coisas, algumas horas foram necessárias para que eu caísse na real. “Peraí… Você vai para o Dacar! Não é uma viagem qualquer para Ubatuba. É o maior rali do mundo! Todas as atenções estarão voltadas para lá, e VOCÊ estará lá no meio!”. Mesmo assim, ainda não estava convencido: “Bela porcaria. Você vai terminar o ano em volta de um bando de homens fedidos, com cheiro de gasolina e correndo o risco de ter de trocar uma roda no meio do deserto, em um país onde ninguém fala a sua língua”.

Foram mais umas horas de muita análise. A verdade é que quase me deixei levar pelo espírito “Saraiva” _aquele, da “Tolerância Zero”_, que queria a todo custo umas férias. Conversando com as pessoas, notava o grau de empolgação que elas ficavam quando davam a notícia, e via que a coisa era, realmente, diferente. “É o meu sonho”, disse uma pessoa diferenciada. A partir daí, pensei: “Já que é assim, vou é realizar o sonho de muita gente. Não vou perder esta oportunidade, que deve ser única”.

Minha experiência “in loco” em ralis se baseia em uma etapa do Paulista de 2007 em São Carlos. Fiz um dia na categoria “Regularidade” _onde as duplas precisam cumprir um determinado trecho em um tempo estipulado_ e dormi a maior parte dele dentro do carro. No outro, andei como terceiro piloto no caminhão de André Azevedo e Maykel Justo, com um saquinho de supermercado dentro do bolso para evitar problemas. Aí sim, foi legal: aquele trambolho de lado a 180 km/h para fazer uma curva a 70 km/h é coisa para quem tem “saco grande”, como dizem por aí.

Só que minha competição, agora, era contra o tempo: juntar os documentos e dados necessários para enviar ao representante da Volks alemã. Tive até de renovar o RG, pois o anterior era de um gordinho simpático de 12 anos, que já não tinha mais nada a ver comigo. Tudo enviado, veio a primeira confirmação. Legal. Mas nada de enviarem detalhes. A tal da expectativa que estava ausente começou a aumentar: faltavam cinco dias para a viagem e nada? Réveillon na Paulista de novo? Não!

Até que, no dia de Natal, chegou o “presente”: os detalhes da viagem e do vôo. Foi nesta hora que caiu a ficha: “Filhão, você vai pro Dacar. Vai ser Ducar!”, falou um camarada de plantão. É… Eu vou para o Dacar!

Agora estou aqui, na sala de embarque do aeroporto, aguardando para seguir à Argentina. A largada promocional acontece no dia 1º, com os carros seguindo rumo à Antofagasta, no Chile, para completar a primeira metade da competição, no dia 9. Farei toda essa trilha, em um dos carros disponibilizados pela Volks, depois darei lugar a outro jornalista e retornarei ao Brasil.

Como vou retornar? Diferente, certamente. Sei que terei um saco de dormir. De resto, não sei mais nada. Por isso acredito que esta vai ser a viagem da minha vida.

Bem, amanhã eu conto mais e desejo boas festas a vocês.

“Partiu”

Desculpem a ausência. Antes, uma frase do Koró, enviada para este fim de ano:

“Tamanho não é documento, e dinheiro não compra felicidade” – autor desconhecido, pobre e de pinto pequeno (imaginem ele rindo e a musiquinha da praça ao fundo).

Voltando… Tive dez dias merecidos de pseudo-descanso, só correndo atrás das coisas do Dacar, e curtindo o Natal com a família. Agora, pé na estrada: estou a caminho de Buenos Aires, para começar o ano enfiado no meio de corridas e carros. Chato, né?

Levo as pessoas queridas no coração, muita empolgação, um Nextel liberado para ligações internacionais e esperanças de um 2010 lisergicamente fantástico para todos.

Logo mais posto a primeira coluna por aqui. Tudo o que eu for fazendo será relatado aqui, com muitas fotos _se a pilha que dura 7x mais que me venderem tiver todo esse poder.

Como dizem por aí… “Partiu!”

Furo?

Recebo por e-mail uma notificação do Luiz Razia. Abro o e-mail e lá ele diz que será piloto de testes na F-1.

Nada mais correto da minha parte que escrever uma nota e publicar. Afinal, isso é notícia. Quando subo isso no twitter do Tazio, uma pessoa vira e diz: é furo do @fulano.

Opa, peraí. Como uma informação enviada pelo próprio piloto em um site de relacionamentos pode se tornar um “furo” de alguém? Uma coisa é ser o mais rápido em divulgar a notícia, a outra é ser o dono da notícia. Nada contra as pessoas relacionadas, que conheço, mas tem algo de errado nisso daí, não?

Segundo os preceitos do jornalismo (pelo menos para quem fez faculdade e se importava com uma coisa chamada diploma), “furo de reportagem” é uma informação exclusiva, que foi apurada e checada com diversas fontes diferentes.

O que é bem diferente de um “furo” enviado pelo piloto por um e-mail.  Aliás, o “furo” é do próprio Razia. Estou errado? A internet deixa as pessoas muito mal-acostumadas. É terra de ninguém e aí todo mundo se acha dono de tudo. Aí, meu amigo, complica…